A REGRESSIVIDADE TRIBUTÁRIA COMO INSTRUMENTO DE ASSIMETRIA DE GÊNERO

Roney Sandro Freire Corrêa ;

Roney Sandro Freire Corrêa

UFF

Pós-doutorando em Direito Público pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutor em Direito, Instituições e Negócios pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Constitucionalismo e Democracia pela Faculdade de Direito do Sul de Minas (FDSM). Maestria en Administración Finan-ciera pela UNED – Centro de Estudios Fiscales em Madrid. Pesquisador e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Tributação Ambiental (UFC). Auditor Fiscal da RFB, atualmente exercendo o mandato de conselheiro no CARF. 


Palavras-chave

Pink Tax
Desigualdade de gênero
Regressividade
Tributação
Estado brasileiro

Resumo

O presente artigo tem como escopo estabelecer, a partir da formulação da política tributária brasileira, a relação entre o Estado como fomentador da desigualdade de gênero, por meio da tributação do consumo, adotando a técnica da regressividade como fator de instrumentalização, e a ameaça à ordem democrática. Para isso, objetiva-se responder a duas questões: o Estado brasileiro tem adotado a capacidade contributiva e a isonomia tributária, como instrumentos de equalização do binômio gênero e renda? O Estado brasileiro tem adotado políticas tributárias que estimulam a redução das desigualdades de gênero? Fixando estas balizas, pretende-se fazer uma reflexão histórica do modelo tributário brasileiro de regressividade, sobretudo rediscutindo a forma pela qual tal política vem reforçando a desigualdade econômica entre gêneros. Em seguida, apresentar-se-ão as políticas tributárias que têm sido estabelecidas em diversos países como instrumento de reparação aos tratamentos dos desiguais, e analisar como o movimento Pink Tax poderá auxiliar, juntamente com a tributação, na promoção do desenvolvimento de políticas igualitárias.


Referências

  1. ALSTOTT, Anne L. Updating the welfare state: marriage, the income tax, and social security in the age of individualism. Public Law Research Paper, n. 276, Oct. 2013. Disponível em: https://ssrn.com/abstract=2220322. Acesso em: 29 nov. 2023.
  2. BLAU, Francine D.; FERBER, Marianne A.; WINKLER, Anne E. The economics of wo-men, men, and work. 5. ed. Upper Saddle River: Pearson Prentice Hall, 2006.
  3. BUFFON, Marciano; MATOS, Mateus Bassani de. Tributação no Brasil no século XXI: uma abordagem hermenêutica crítica. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2015.
  4. CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. São Paulo: Malheiros, 1999.
  5. FAVEIRO, Vitor Antonio Duarte. O estatuto do contribuinte: a pessoa do contribuinte no Estado social de direito. Coimbra: Coimbra Editora, 2002.
  6. FRAGOSO, L.C.P.; GONZÁLEZ, F.C. Gender analysis of taxation in Mexico. In: GRO-WN, C.; VALODIA, Imraan (ed.). Taxation and gender equity: a comparative analysis of direct and indirect taxes in developing and developed countries. Abingdon: Rou-tledge, 2010.
  7. GROWN. Caren. Taxation and gender equality a conceptual framework In: GROWN, C.; VALODIA, Imraan (ed.). Taxation and gender equity: a comparative analysis of direct and indirect taxes in developing and developed countries. Abingdon: Rou-tledge, 2010.
  8. HARPER, Ida Husted. History of Woman Suffrage. [S. l.]: National American Woman Suffrage Association, 1922. v. 6.
  9. HOLMES, Stephen; SUSTEIN, Cass R. The Cost of rights: Why liberty depends on taxes. New York: Norton, 2000.
  10. IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estatística de
  11. Gênero: estatísticas sociais das mulheres no Brasil. Estudos e pesquisas. Rio de Ja-neiro, n. 38, 2017. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101551_informativo.pdf. Acesso em: 29 nov. 2023.
  12. JACOBSEN, Joyce P. The economics of gender. 3. ed. Malden: Blackwell Pub, 2007.
  13. MEGHIR, Costas; PHILLIPS, David. Labour supply and taxes. Disponível em: https://ssrn.com/abstract=1136210. Acesso em: 29 nov. 2023.
  14. JORNAL OFICIAL DA UNIÃO EUROPEIA. Roteiro para a igualdade entre homens e mulheres. Disponível em: http://cite.gov.pt/asstscite/downloads/legislacao/Reso-luc31.pdf. Acesso em: 29 nov. 2023.
  15. KIRCHHOF, Paul. Tributação no Estado constitucional. Tradução: Pedro Adamy. São Paulo: Quartier Latin, 2016.
  16. NABAIS, J. Casalta. O dever fundamental de pagar impostos: contributo para a com-preensão constitucional do estado fiscal contemporâneo. Coimbra: Almedina, 2012.
  17. OYEZ. Cases. Sex discrimination. Disponível em: https://www.oyez.org/issues/194. Acesso em: 29 nov. 2023.
  18. PARLAMENTO EUROPEU. European Parliament resolution of 15 January 2019 on gender equality and taxation policies in the EU. Disponível em: https://www.euro-parl.europa.eu/doceo/document/TA-8-2019-0014_EN.html?redirect. Acesso em: 29 nov. 2023.
  19. PUGLIESE, Fabio; OLIVEIRA, Micheline Ramos de; SOUZA, Maria Cláudia da Silva Antunes de. Tributação e igualdade de gênero: um olhar sobre direitos humanos. Re-vista Direito UFMS, Campo Grande, v. 2, n. 1, p. 173-183, jul./dez. 2016. Disponível em: http://seer.ufms.br/index.php/revdir/article/view/2583/2325 . Acesso em: 29 nov. 2023.
  20. STOTSKY, Janet G. How Tax systems treat men and women differently. Disponível em: https://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/1997/03/pdf/stotsky.pdf. Acesso em: 29 nov. 2023.
  21. TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contribu-tiva. São Paulo: Malheiros, 2002.
  22. UNO. Committee of Experts on International Cooperation in Tax Matters. Uni-ted Nations, Economic and Social Council. Follow-up note on the role of taxation and domestic resource mobilization in achieving the Sustainable Development Goals. New York, 2019. Disponível em: https://www.un.org/esa/ffd/wp-content/uploads/2019/04/18STM_Follow-up-note_Taxation- and-DRM.pdf. Acesso em: 29 nov. 2023.
  23. VIECELI, Cristina Pereira; ÁVILA, Róber Iturriet; CONCEIÇÃO, João Batista Santos. Es-trutura tributária brasileira e seus reflexos nas desigualdades de gênero. Disponível em: https://ijf.org.br/wpcontent/uploads/2020/07/Artigo-Tributa%C3%A7%C3%A3o--e- G%C3%AAnero.pdf. Acesso em: 4 abr. 2024.