COMO FICA A TRIBUTAÇÃO NA LOCAÇÃO NÃO RESIDENCIAL PARA EMPRESAS TRIBUTADAS PELO LUCRO REAL, LUCRO PRESUMIDO, SIMPLES, OU ENTIDADES IMUNES/ISENTAS, A PARTIR DE 2027

Emanoel Marcos Lima
Paulo Henrique Pêgas

Emanoel Marcos Lima

Universidade de São Paulo

Doutor e Mestre em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP). Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Católica Dom Bosco. Professor associado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Paulo Henrique Pêgas

IBMEC-RJ

Contador, Especialista e Mestre em Ciências Contábeis. Professor do IBMEC-RJ, da Fipecafi-SP e do IPEC-RJ. Professor convidado, em aulas e disciplinas esporádicas em cursos de pós-graduação/ extensão nas seguintes instituições: UFF, UFRJ, ITE-Bauru, Mackenzie, FGV, INPET-MS, UNIFOA, UNIFAL-AL, APET, Unicamp, Fundace, dentre outras.


Palavras-chave

Reforma Tributária
IVA-Dual
CBS/IBS
Split Payment
Transparência Fiscal

Resumo

No final de 2023, o Brasil iniciou uma reforma tributária para modernizar o modelo de impostos sobre bens e serviços, criado há quase 60 anos. Esse sistema tornou-se complexo, especialmente por adotar a cobrança “por dentro”, que infla preços e gera disputas judiciais (tributos sobre tributos). A Emenda Constitucional n. 132/2023 substitui diversos tributos por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) “por fora”, unificando a cobrança por meio da CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Essa mudança altera significativamente os registros contábeis, com tributos registrados no balanço patrimonial em vez da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Entre os ganhos esperados estão: maior transparência, neutralidade vertical e horizontal, com redução de carga administrativa e alinhamento com práticas internacionais. No entanto, pode enfrentar desafios de implementação, resistência setorial e necessidade de ajustes tecnológicos para aplicação do split payment. A reforma transformará a forma de precificar bens e serviços no Brasil já a partir de 2027, beneficiando ou prejudicando algumas operações, dependendo dos atores envolvidos em cada operação. A locação de imóveis, principalmente a não residencial, é uma operação que deverá gerar ganhos e perdas no novo modelo tributário, comparativamente ao modelo atual, com esse ganho ou a perda dependendo do tipo de contribuinte contratante da locação (locatário) e da opção do locador, que poderá utilizar o regime específico ou o modelo atual, que mantém a cobrança no mesmo percentual hoje cobrado de PIS e Cofins na maioria dos contratos de locação imobiliária.


Referências

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